Guia de sobrevivência de um estudante
Segunda-feira, Fevereiro 8 - 20:03


No final do ano passado estava saindo de casa com a mochila nas costas e antes mesmo de abrir o portão, digo: "Acho que estou carregando o mundo nas costas!". E não é que praticamente estava? Levava comigo:

Um estojo (que, entre seu diverso conteúdo, possuía uma caixinha de grafite 2B que insistia em ficar aberta), uma agenda, um celular, um fone de ouvido, um bloco de notas, um livro qualquer, uma garrafinha com água (sim, porque o caminho da sua casa até o cursinho parecia ser percorrido na superfície do Sol), uma régua achada no chão da sala de estudos, alguns cadernos, uma pasta com várias folhas (de rascunhos de postagens a textos de Filosofia), um carregador de celular, um pacote de biscoito, uma carteira, algumas apostilas do colégio e uma blusa de frio (que só seria usada em dias de chuva, mas você nunca sabia quando eram esses dias porque o cursinho era longe demais da sua casa).

Tudo isso para sobreviver a mais um dia de estudos.

Tudo isso porque você acabou de fazer a sua matrícula na faculdade e finalmente a ficha de para onde você está indo caiu. Tudo isso para você se lembrar que suas aulas começarão em menos de um mês e que essa vida não irá mais te acompanhar (ufa!).

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Subindo o alto da cidade
Sábado, Fevereiro 6 - 17:36

E quando eu acho que já vi de tudo, minha irmã (não a que me leva para cafeterias, livrarias e tudo mais. A outra.) consegue me surpreender: me faz acordar bem cedo (vejam só!) em plenas férias para... caminhar! Pelo menos foi bem prazeroso e tivemos tempo para recordarmos detalhes da nossa viagem no último Carnaval.

Algumas observações feitas após o percurso:
1. Queria que o título dessa postagem fosse "Subindo a serra".
2. Mas mesmo sendo tão arborizado, não era bem uma serra. Era o alto da cidade (conhecido popularmente por aqui como Parque das Mangabeiras).
3. Pelo menos nesse lugar não existem mosquitos.
4. Na verdade eles existem, mas são mais educados e não resolvem estragar o seu passeio.
5. A propósito, eu odeio mosquitos.

Uma observação feita após o percurso, mas que nada tem a ver com o tema:
6. Pensando em como as coisas são popularmente conhecidas aqui em Belo Horizonte, me lembrei de um doce chamado Marta Rocha, cuja receita não consegui encontrar. Mas achei a de uma torta que me parece deliciosa e, bem, me aguardem...

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Bilhete #03
Terça-feira, Fevereiro 2 - 18:51

Uma vez, uma única vez foi suficiente para dar vida a todas aquelas memórias. Lavínia tinha acabado de abrir sua caixinha de lembranças que com tanto cuidado e paciência cultivara durante sua adolescência.

Enterrou seus dedos entre os vários papéis e arrancou um envelope ao acaso. Abriu-o cuidadosamente e puxou uma carta. Começou a ler. Foi então que um papel menor desprendeu-se detrás daquela folha. Tão pequeno e ainda conservado, como se nunca tivesse sido tocado por alguém a não ser o próprio autor.


Mesmo tratando-se de uma caixa de lembranças, nenhuma recordação daquele bilhete com um adesivo já ressecado lhe vinha em mente. Estivera ali o tempo todo, mas nunca passara pela cabeça de Lavínia sua discreta existência — muito pelo contrário. Agora sentia uma pontada de tristeza bater em seu peito.

— Você queria se desculpar, não era? Ah, querido, se eu soubesse... — disse para si mesma. — Tudo teria sido tão diferente. E se eu tivesse descoberto isso... descoberto mais uma dessas surpresas que você sempre gostou de fazer. Agora veja onde estou...

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Clássico espírito de férias
Segunda-feira, Fevereiro 1 - 11:12

Já pararam para pensar em como é engraçado ser blogueiro?

Estou falando sério. A partir do momento em que você cria seu blog, passa a ter dois caminhos a seguir: ser eufórico ou dramático. Ambos ao extremo, é claro.

Se você decide ser eufórico, estará sempre contando os menores casos de sua vida com a maior animação e o vocabulário mais vivo que encontrar. Onde está a grande emoção em passar uma tarde em casa comendo um pote de Nutella, por exemplo? Está em lutar com a tampa que não queria sair e, após todo esse árduo trabalho, perceber que o pote está cheio só até a metade e alguém já se deliciou com aquilo antes? Talvez.

Se você escolher ser dramático, estará sempre reclamando de como é difícil acordar zonzo e ajudar sua mãe em alguma tarefa. Você está de férias e, puxa!, não foi assim que planejou aproveitar todo o seu excessivo tempo livre (para não dizer ocioso).

No final das contas percebi que não estou em nenhum dos lados. Não faço nada para narrar como uma aventura e nem posso reclamar do meu desempenho no vestibular ou do aumento da minha mesada. Minha total falta do que improvisar é completamente desesperadora: assistir suas férias passarem assim e você não poder fazer nada além de perambular entre seu quarto (ligar o computador e olhar a programação da TV) e a sala (ligar a TV e ver que nada daquela programação lhe agrada ou não preenche o seu vazio).

Observação 1: ― Alô, vida? Eu gostaria de uma porção de emoção na Alameda dos Engomadinhos, número 123...
Observação 2: eu adorava o Cartoon Network, mas agora não consigo encontrar um bom desenho. Só passa aquele tal de Ben 10 ou uma versão xoxa do Batman.
Observação 3: agora entendo quando as pessoas mais velhas dizem algo como “essas crianças de hoje não sabem o que é um bom desenho...” Onde foram parar os clássicos?

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Boemia
Sábado, Janeiro 30 - 22:18

Mesmo tendo tomado ciência de inúmeros bares (e olha que os bares de Belo Horizonte são diferentes, afinal, somos a capital deles) durante esse período, mesmo tendo visto o que aconteceu com Fernando Sabino em O encontro marcado e com amigos me alertando (outros incentivando) sobre a vida mundana que o curso de Jornalismo traria, vejo que não consigo me adaptar a esses ambientes de boemia. E acho que nem vou. Só quero ver se serei o único que, quando estiver na faculdade e for chamado para esse tipo de programa numa sexta-feira à noite, dirá:

― Me desculpem, mas já tinha planejado ficar em casa tomando um café e assistindo filmes dublados...

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